Sua porta de entrada para a França
  Loja Online

Relato de um intercâmbio em Bruxelas

Publicado em: 11 de abril de 2019

Com lágrimas nos olhos de emoção e saudades, abro esse relato recheado de chocolate, cerveja e waffle!

A Bélgica é um país incrível, e Bruxelas, se não fosse pelo frio, seria uma cidade perfeita para se morar. Conforme ouvi de uma amiga belga, Bruxelas é uma cidade pequena-grande, porque apesar de ocupar uma área minúscula no mapa, abriga todos os recursos necessários de uma cidade grande, inclusive a sede de importantes instituições internacionais, como o Conselho da União Europeia e a OTAN.

A posição hiper estratégica para viajar pela Europa é outro privilégio de morar na Bélgica. Em 6 meses, visitei 19 cidades e 8 países, viajando em quase todos os finais de semana!

Entrar num ônibus numa terça-feira e ouvir 7 línguas diferentes na mesma viagem é uma experiência que só Bruxelas pode te oferecer, por ser uma cidade essencialmente multicultural. Os imigrantes representam 70% da população do local, e as manifestações culturais e artísticas resultantes dessa ocupação são a parte mais rica da cidade.

 

Entendendo a Bélgica

A Bélgica é um daqueles Estados objetos de muitas discussões no âmbito da relações internacionais, já que lá não existe propriamente uma unidade nacional. O país é dividido em duas regiões: a Valônia, que fica ao sul, abrangendo até Luxemburgo, é uma área majoritariamente francófona, apesar de cobrir também a Bélgica germanófona, no extremo leste do país, fronteira com a Alemanha. Flandres, por outro lado, se localiza ao norte, e sua língua oficial é o neerlandês (holandês) ou flamengo. Localizando-se no meio do país, a capital Bruxelas também constitui uma região própria, dividida entre a área flamenga, ao norte, e a francófona, ao sul. É uma loucura porque todas as placas de rua, lojas, restaurantes e anúncios em Bruxelas estão todos em francês e em neerlandês – e, em alguns casos, em inglês!

Não obstante o convívio pacífico, as diferenças entre os habitantes das duas regiões são latentes, os flamengos se assemelhando mais ao estilo holandês e os valons, aos franceses.

 

O parque Bois de la Cambre, em Ixelles, reúne a cidade inteira quando abre um solzinho!

 

Estudar na Université libre de Bruxelles

Para realizar o intercâmbio, eu recorri aos programas da PUC, que têm convênio com mais de 10 universidades francófonas na Bélgica, França e Suíça. Para participar desses programas, a proficiência na língua francesa é fundamental, então eu já garanti a minha com o TCF antes de me candidatar. A minha formação em Relações Internacionais facilitou bastante o processo, já que o curso, por pressupor a experiência internacional como parte integrante de sua grade curricular, concede equivalência automática em todas as matérias cursadas na instituição estrangeira. Isso significa que no começo de 2019, quando cheguei em São Paulo, caí exatamente na mesma sala que eu estava quando eu parti para o intercâmbio, já que não tive que refazer nenhuma matéria perdida.

A própria proposta do “intercâmbio acadêmico” já sugere a finalidade do programa: estudar. Muito embora a experiência universitária tenha ocupado uma parte ínfima da minha vida em Bruxelas, foi graças à Université libre de Bruxelles que eu fiz conheci todas as pessoas que vieram a se tornar grandes amigos e amigas, e entrei em contato com palavras e temas até então desconhecidos ao meu repertório acadêmico.

A ULB é uma universidade de princípios. Princípios estes com os quais eu me identifiquei desde a minha primeira visita ao site deles, e que foram o motivo deu ter escolhido essa universidade para estudar. Instituição central numa cidade multicultural, não tinha como ser de outra forma: ⅓ dos seus estudantes são estrangeiros! E as iniciativas de acolhimento a esses estudantes são muitas.

O campus em si é incrível: gramados abundantes, espaços de convivência entre os estudantes, biblioteca muito completa com informática e salas para realização de trabalhos em grupo, vários auditórios, enfim, infraestrutura impecável. Além disso, a universidade propõe iniciativas muito bacanas em relação à promoção da saúde mental entre os estudantes e até uma épicerie sociale (mercado social), aos sábados. O sistema de esportes na ULB talvez seja a melhor parte: por 30 euros, os intercambistas poderiam obter uma carteirinha que permitia a participação em qualquer esporte do extenso catálogo deles, quando quisesse. As opções iam desde esgrima até danças africanas, passando por badminton, capoeira, natação, e os esportes tradicionais com bola. Eu, por exemplo, fazia aulas de yoga, tênis de mesa e danças orientais uma vez por semana. A ULB é um espaço muito bacana para participar de atividades extracurriculares.

No tangente às aulas em si, foi menos estimulante. Por estar acostumada com um formato de aulas interativo, horizontal e com discussões entre os alunos e o professor, acabei me decepcionando um pouco com a dinâmica das aulas lá. Os professores adotavam um tom mais formal, mais catedrático e não abriam tanto espaço para o debate, o que se justifica em alguns casos pela quantidade de alunos por aula, que chegava a 200. Mas, na minha concepção, acaba sendo um desperdício de uma oportunidade interessante de troca entre alunos estrangeiros e construção de um debate plural e multicultural.

Campus da ULB num dia ensolarado de outono.

 

Transporte em Bruxelas

Existem muitas formas de mobilidade promovidas em Bruxelas. Para começar, os ônibus, trams (espécie de metrô que passa pelo meio da cidade, e acessa as regiões mais periféricas) e metrô chegam em toda a cidade. Os estudantes têm a opção de fazer um cartão de transporte que permite o trânsito em todos os meios urbanos e que custa 50 euros por ano! De todas as cidades que conheci na Europa e no Brasil, eu nunca vi um preço tão baixo de transporte para estudantes. Nesse sentido, Bruxelas é campeã.

Muitas pessoas usam bicicleta para se locomover, mas o frio, os paralelepípedos e o fato da cidade não ser 100% plana – ainda que muito mais do que São Paulo, por exemplo – não colaboram tanto.

Arquitetura tipicamente belga.

 

Custo de vida

Com preços semelhantes aos da França, Bruxelas não é uma cidade especialmente barata. Os aluguéis para estudantes giram em torno de 400 e 800 euros, dependendo do tipo de acomodação, e as cervejas, apesar de muito boas, não são tão baratas. Por outro lado, existem muitas formas de gastar menos, vivendo inclusive um estilo de vida mais sustentável. Em um dado momento, eu só comprava roupas de brechós (maravilhosos, por sinal), comprava bebida no supermercado (que sai muito mais barato do que nos bares) e usava e abusava do mercado social da ULB. Me acostumei a economizar para poder viajar e acabei gastando menos do que gasto em São Paulo!

 

E o frio?

Sim, faz bastante frio lá. Mas a não ser que você já chegue no inverno, não é tão difícil de se acostumar. Eu cheguei no começo do outono, o que facilitou muito a minha adaptação progressiva para viver o inverno. Além disso, não é nem um pouco difícil de encontrar as roupas adequadas para passar a estação – a Decathlon, por exemplo, virou minha segunda casa. A infraestrutura da cidade é pensada para o frio, o que significa que todos os lugares, desde ônibus até banheiros de restaurantes, têm sistema de aquecimento.

 

Depois de ter me apaixonado por todos esses lugares e por muitas pessoas, tenho toda a certeza do mundo de que escolhi o país certo para realizar o sonho do intercâmbio. Recomendo muito a cidade de Bruxelas para quem quiser viver uma aventura sobretudo multicultural! E fico a disposição caso alguém queira dicas de viagem 🙂

 

Ficou com vontade de fazer intercâmbio em Bruxelas?

O primeiro passo é se informar sobre os chocolates belgas! rs

Brincadeiras a parte, para ir estudar em Bruxelas ou em qualquer cidade francófona, é absolutamente necessária a proficiência na língua francesa. O Curso de Francês Online – CFOL do IFESP te prepara para alcançar esse objetivo com o Preparatório para o TCF, o Preparatório para o DELF B1 e o Preparatório para o DELF B2.

Para entender mais sobre o funcionamento dos testes de proficiência, dê uma olhada no nosso miniguia gratuito sobre a estrutura das provas e as datas de 2019:

 

 

últimos artigos

Deixe seu comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *